A contratação de profissionais com qualificação técnica tornou-se um desafio
O setor AVAC-R (Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração) tem enfrentado um cenário crítico devido à falta de profissionais qualificados, o que impacta na capacidade das empresas de expandirem seus negócios e atenderem à demanda do mercado.
Assim como descrito por outros setores, a dificuldade em encontrar mão de obra especializada tem levado empresas a suspender projetos, aumentar preços e limitar o volume de serviços oferecidos, comprometendo a competitividade e o crescimento sustentável do setor.
Para superar esses desafios, especialistas sugerem que as empresas precisam adaptar suas rotinas e oferecer condições de trabalho mais atrativas. No entanto, no AVAC-R as tarefas exigem presença constante, sendo mais difícil de flexibilizar. A capacitação técnica e a valorização do trabalho formal são essenciais para garantir a sobrevivência do setor.
O desafio do jovem no mercado
Um dos fatores que mais preocupam é o desinteresse dos jovens pelo emprego formal, uma tendência que se acentuou após a pandemia.
Muitos preferem atividades informais ou empregos que ofereçam maior flexibilidade, como o trabalho remoto, reduzindo o interesse em ofícios que exigem formação técnica especializada e jornadas rígidas.
Os riscos da crescente informalização do trabalho
Uma grande ameaça para o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVAC-R) é a crescente informalização do trabalho.
Muitos profissionais que possuem alguma qualificação ou experiência na área estão deixando empregos formais para atuar como autônomos, atraídos pela maior flexibilidade e pela possibilidade de complementar a renda com outras atividades (como motorista de aplicativo e entregador). Essa migração para a informalidade, embora pareça trazer benefícios imediatos para os trabalhadores, tem impactos profundos e prejudiciais para ambos.
Ao optar por trabalhar de forma autônoma, esses profissionais passam a reduzir sua efetiva participação na área técnica, deixando de buscar capacitação constante e de se manter atualizados com as inovações e normas do mercado.
A falta de incentivo para seguir uma trajetória de especialização compromete não apenas o desenvolvimento individual, mas também a qualidade geral dos serviços oferecidos pelo setor AVAC-R. O mercado, que já sofre com a escassez de mão de obra qualificada, vê-se ainda mais fragmentado por conta dessa pulverização de trabalhadores informais com pouca ou nenhuma preocupação em manter-se competitivos tecnicamente.
Além disso, o aumento no número de autônomos com qualificação limitada enfraquece a capacidade do setor de atender demandas mais complexas e volumosas, que exigem conhecimentos especializados, estrutura adequada e uma organização empresarial eficiente. Grandes projetos de climatização, por exemplo, que demandam planejamento técnico rigoroso e cumprimento de prazos, tornam-se inviáveis para profissionais que atuam sozinhos e de forma dispersa. Isso também afeta a confiança dos clientes, que preferem buscar serviços com garantias formais e suporte técnico qualificado, mas se deparam com uma oferta reduzida de empresas estruturadas.
Outro efeito da informalização é a perda de competitividade no mercado formal. Com menos profissionais dispostos a seguir carreira em empresas especializadas, os negócios estruturados enfrentam dificuldades para encontrar e reter talentos, forçando-os a diminuir a oferta de serviços e até a aumentar preços. Ao mesmo tempo, a falta de regulamentação no trabalho autônomo pode acarretar serviços de qualidade duvidosa, colocando em risco a segurança e a eficiência das instalações.